O poeta mente
Inventa fatos e o que sente
Não! Ele não mente!
Ele escreve a VERDADE
Ele opta por escrever o que ver e o que sente
de maneira diferente
Pode até algumas palavras inventar
Porque como criança
ama com elas brincar
e com o alfabeto e o dicionário brigar ,
pois despreza as palavras que claramente quer
um fato contar e secamente as emoções conceituar
O poeta nunca com a verdade faltou
Nem nada inventou
Ele ver o que ninguém ver
Vai ali na essência
E
INTENSAMENTE
Sobre o que os outros olhos não conseguem ver
Artesanalmente com sua matéria prima
Ele se põe a escrever
Ora ele até inventa um
personagem aqui Outro ali
Um sentimento cá outro acolá
Mas nunca com a verdade
Irá faltar
E o âmago de tudo e de nada vai relatar
Sem a verdade ofuscar
Doa a quem doer
Tudo o que ele sabe
Tudo o que ele sente e pressente
O que você não ver
E o que você não ver e nem sabe o que sente
No texto inteiro dele
Estará presente
É por isso que você diz que ele mente
E o leitor não quer a sua dor e a sua verdade encarar
Por isso acusa o poeta
De viver a inventar
Ele diz tudo
Com as palavras
Brincando
Mas não fica nada
Inventando
Ele é um escrevente
Que quer escreVOAR
e uma nova realidade
Criar
De maneira única e singular
Aquilo que eu e você
Não queremos assumir
E vivemos o tempo todo a omitir
quando não se consegue a Verdade ouvir
É muito mais fácil
Acusar o poeta de mentir
Do que você assumir
Que ele não estar a mentir
Ele só escreve e sente
De maneira poeticamente diferente
e totalmente envolvente!
Portanto, não mais invente
E nem tente me convencer
Que o poeta mente
Ele apenas conta e sente
De maneira diferente
profundamente
O que você, leitor, sente .
Autora:Nadiolan Lima
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