No espelho agora vejo
Quando te perdi
Também morri
Porque de me
Me perdi
Quando te perdi
E para sobreviver
Em tudo quis você parecer
Jeito de andar
Falar
E até dos outros viver a cuidar cuidar cuidar
E não mais se olhar e no espelho se ver
Olhava no espelho e via você em mim
Escolhi morrer para te ver
E não me ver sofrer
Por um tempo, confesso
Foi muito bom em você me ver e parecer...
Mas com o tempo...
Invernos
Primaveras
Isso um incômodo me gerou
E aos poucos fui querendo me ver
Pois o meu eu quis de novo viver
Renascer
Se conhecer e reconhecer
E reorganizar o que era teu no meu eu
E o que é só meu que não é teu
e que meu e tu nunca reconheceu
Tô aprendendo tudo de novo
A me movimentar
a me ouvir e decidir
Fiquei muito tempo em uma geladeira a congelar
Não quero neste labirinto te esquecer
Mas quero me encontrar
E no espelho me ver e me contemplar
Reaprender a correr dos rótulos
que a mim vão oferecer
Reaprender
Falar e não mais me calar
Chorar e gritar
Quando o meu eu eu não consegui olhar
E reconhecer
Que posso continuar a ver você
Sem deixar de no espelho
Primeiro primeiro
Me ver e ser o que quero e sinto ver e ser.
E não preciso morrer para pertencer
Pertencer e não pertencer
vou poder escolher ser
E no espelho agora me ver!
Autora Nadiolan Lima

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