segunda-feira, 16 de setembro de 2024





No espelho agora vejo

Quando te perdi
Também morri
Porque de me
Me perdi   
Quando te perdi
E para sobreviver 
Em  tudo quis você parecer
Jeito de andar 
Falar 
E até dos outros viver a cuidar cuidar cuidar
E não mais se  olhar e no espelho se ver

Olhava no espelho e via você em mim
Escolhi morrer para te ver
E não me ver sofrer 
Por um tempo, confesso
Foi muito bom em você me ver e parecer...
Mas com o tempo...
Invernos
Primaveras 
Isso um incômodo me gerou
E aos poucos fui querendo me ver
Pois o meu eu quis de novo viver
Renascer
Se conhecer e reconhecer 
E reorganizar o que era teu no meu eu 
E o que é só meu que não é teu
 e que meu e tu nunca reconheceu 
Tô aprendendo tudo de novo
A me movimentar 
a me ouvir e decidir 
Fiquei muito tempo em uma geladeira a congelar 
Não quero neste labirinto te esquecer
Mas quero me encontrar
E no espelho me ver e me contemplar
Reaprender a correr dos rótulos 
que a mim vão oferecer 
Reaprender 
Falar e não mais me calar
Chorar e gritar 
Quando o meu eu eu não consegui olhar 
E reconhecer
Que posso continuar a ver você 
Sem deixar de no espelho 
Primeiro primeiro  
Me ver e ser o que quero  e sinto ver e ser.
E não preciso morrer para pertencer
Pertencer e não pertencer
vou poder escolher ser
E  no espelho agora me ver!

Autora Nadiolan  Lima






























 

 

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